Escrevivências na C.I.

Um feliz 2018 a todos.

Retomando as atividades do blog do grupo de pesquisa IMeS/IBICT, iniciamos o ano de 2018 com uma breve explicação sobre uma de nossas seções: Escrevivências.

Jacqueline Ribeiro Cabral (UFF)

O termo ESCREVIVÊNCIA foi tomado de empréstimo de Maria da Conceição Evaristo de Brito, mais conhecida como Conceição Evaristo, escritora e pesquisadora brasileira nascida em 1946 na cidade de Belo Horizonte. Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, Conceição Evaristo vem de uma família muito pobre, e teve que conciliar os estudos trabalhando como empregada doméstica até concluir o antigo curso normal, em 1971. Militante do movimento negro e com intensa participação em movimentos sociais, a autora cunhou o conceito de ESCREVIVÊNCIA em 1995, a partir das palavras “escrever” e “viver”. Na conclusão de seu texto para um seminário sobre mulheres e literatura, a Conceição Evaristo afirma que a escrevivência das mulheres negras “não é para ninar os filhos da Casa Grande, e sim para incomodá-los em seus sonos injustos”. ESCREVIVÊNCIA tem a ver, portanto, com autobiografia, com a ideia de “escrita de si”, com o fato de que a subjetividade de qualquer escritor ou escritora contamina a sua escrita. No caso em questão, a escrevivência de Conceição Evaristo está impregnada pela sua condição de mulher negra na sociedade brasileira.

 

Novo Laboratório de Humanidades Digitais no IBICT –

No dia 30 de outubro de 2017 foi realizado o I Workshop do Laboratório em Rede de Humanidades Digitais do IBICT O evento marcou a fundação do LarHuD – Laboratório em Rede de Humanidades Digitais do IBICT em parceria com a UFRJ.

Estiveram presentes: Ricardo Pimenta (IBICT), Marcia Cavalcanti (USU), Liz-Rejane Issberner (IBICT), Marcos Cavalcanti (COPPE-UFRJ), Sarita Albagli (IBICT), Fabio Gouveia (FIOCRUZ), Renan Marinho (CPDOC/FGV), Josir Cardoso (IBICT), Marco Schneider (IBICT), Arthur Bezerra (IBICT), Paulo Castro (ECO-UFRJ), Marcelo Fornazin (UFF; PPGCI/IBICT-UFRJ), Fernanda do Valle (IBICT), Roberto Bartholo (COPPE-UFRJ), Monica Machado (ECO-UFRJ), Ilana Strozenberg (ECO-UFRJ), Ivana Bentes (ECO-UFRJ), Marcella Albaine (UNIRIO), Marcos Novais (IBICT-Brasília).

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O Workshop teve como objetivo apresentar o laboratório como um lugar cujas muitas portas estão abertas à ação colaborativa e como um ponto de convergência/colimação de interesses conjuntos. Um canal de diálogo entre campos disciplinares diversos: Ciências Sociais, História, Antropologia, Letras, Comunicação, Arquivologia, Biblioteconomia, Computação, Engenharia de Produção, Ciência da Informação entre outras. A proposta é pela transdisciplinaridade contínua.

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Com uma agenda propositiva inicial de cursos e oficinas, pensamento crítico, ações em ambiente wiki, produção do conhecimento em perspectiva tecno-cientifica e pública, visando a ciência aberta enquanto política de C&T, análise de redes sociais, desenvolvimento de ferramentas e de glossários, há muito o que fazer nos próximos meses.

 

Entre os primeiros objetivos elencam-se:

  1. desenvolver projetos que se insiram no contexto tecnopolítico brasileiro, uma vez que o tema Humanidades Digitais já floresce no exterior. A área é recente, considerada transdisciplinar e, por isso, apresenta múltiplas questões de pesquisa.
  2. ser em rede, aberto, colaborativo, independente de departamentos.
  3. construir maior integração com a sede do IBICT, em Brasília, responsável pela parte administrativa e tecnológica do instituto e ligada diretamente ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
  4. produção de um glossário bilíngue da área de Humanidades Digitais, em plataforma wiki, incluindo relatos de usos de ferramentas disponíveis. A finalidade desses relatos é ampliar o entendimento sobre termos técnicos e aplicações.

Mas estes são apenas os primeiros. Para saber mais visitem: http://www.larhud.ibict.br

 

IMeS/IBICT chega à UFF

No último dia 01 o prof. Ricardo Pimenta, coordenador do grupo de pesquisa IMeS/IBICT proferiu a palestra “humanidades digitais e memória: inovação ou mais do mesmo?”durante o encontro do CGI/IACS/UFF “trocando experiências”.23004857_10212388975014399_8317076126097079397_o

A atividade, de iniciativa da prof. Jacqueline Ribeiro, participante do IMeS, contou com a presença de muitos alunos de graduação em torno do debate sobre o que seriam as humanidades digitais.

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Sobre a Quarta Revolução Industrial e a Sociedade da Informação

Sérgio de Castro Martins

Doutorando em Ciência da Informação pelo PPGCI-UFF

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Sabe-se que a velocidade das transformações dos acontecimentos nas últimas três décadas, em todas as esferas – econômica, social, militar, política e governamental – tem despertado interesse de inúmeros teóricos, sociólogos, historiadores e filósofos na direção de uma percepção mais acurada de interpretação dos fatos. Sabe-se também que interpretar acontecimentos tão complexos enquanto se é contemporâneo dos mesmos frequentemente ocasiona uma miopia analítica, uma vez que torna-se difícil entender os eventos e prever seus rumos no compasso de suas ocorrências.

Entretanto, e ainda assim, tem sido possível conjecturar perspectivas e dimensões de vetores que indiquem classes ou categorias que apontem para determinadas dimensões. No presente caso, ao falar-se da sociedade da informação, termo por si só controverso, esforços têm sido feitos no sentido de traçar um perfil que configure e abarque suas características e aponte suas tendências.

Por conta da multiplicidade de interpretações sobre os fenômenos e transformações sociais do momento, podemos ouvir referências a termos como “Era da Informação”, “Sociedade da Informação”, “Era do Conhecimento”, “Sociedade do Conhecimento”, “Sociedade Pós-Capitalista”, dentre outros. Como dito, conquanto seja difícil alguém caracterizar ou nomear uma época no momento que se nela se vive, algumas colocações têm se mostrado apropriadas para tal, pelo fato de revelar aspectos pertinentes às ocorrências.

Algumas interpretações podem fornecer uma ideia das mudanças sociais em curso, sendo talvez as mais influentes. Marc Halévy (2010) as define como a “Era do Conhecimento”, visto que o conhecimento é compartilhado na Nooesfera* ficando, assim, à disposição para trocas entre seres humanos. Pierra Lévy sustenta que “As Tecnologias da Inteligência” (1996) levou à “Cibercultura” (1999). Peter Drucker define a atual sociedade/tempo como “Sociedade pós-capitalista” (1995), Manuel Castells define como “Sociedade em Rede” (2000) e Adam Schaff como “Sociedade Informática” (1997), apenas para citar alguns.

Além das visões dos especialistas acima expostos, que conceituam e caracterizam a Sociedade da Informação, recentemente (em 2016) surgiu um conceito novo e controverso nas discussões do World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial), evento anual que se dá na cidade de Davos, na Suíça. Já há muito admitindo abertamente os tempos atuais como a Era da Informação, ou Sociedade da Informação, um de seus mais eminentes teóricos e influenciadores, Klaus Schwab, revelou recentemente um novo fenômeno paradigmático na atual sociedade: A Quarta Revolução Industrial.

O impacto desta nova revolução industrial foi abordado num expressivo relatório, em meados de 2016, apontando as características, rumos, tendências, desafios, prós e seus contras, inclusive com referências a desdobramentos em outros relatórios temáticos. O fenômeno da Quarta Revolução Industrial é tão complexo que, em suas palavras:

Ainda precisamos compreender de forma mais abrangente a velocidade e a amplitude dessa nova revolução. Imagine as possibilidades ilimitadas de bilhões de pessoas conectadas por dispositivos móveis, dando origem a um poder de processamento, recursos de armazenamento e acesso ao conhecimento sem precedentes. Ou imagine a assombrosa profusão de novidades tecnológicas que abrangem numerosas áreas: inteligência artificial, robótica, Internet das Coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia e computação quântica, para citar apenas alguns. Muitas dessas inovações estão apenas no início, mas já estão chegando a um ponto de inflexão de seu desenvolvimento, pois já constroem e amplificam umas às outras, fundindo as tecnologias do mundo físico, digital e biológico. (SCHWAB, 2016) 

De acordo com Schwab, a primeira Revolução Industrial teve início em meados do século XVIII, com o desenvolvimento da manufatura, das ferrovias e máquinas a vapor. A segunda ocorreu em fins do século XIX, com o advento da eletricidade, da linha de montagem e a produção em massa. A terceira ocorreu a partir da década de 1960, quando o computador, os chips e os semicondutores alçaram os mainframes na computação, juntamente com o desenvolvimento dos sistemas operacionais (década de 1970), os computadores pessoais (década de 1980) e a internet (década de 1990).

Embora muitos teóricos reconheçam que estejamos ainda numa terceira Revolução Industrial, no qual os recentes fenômenos são apenas seus desdobramentos e consequências, para Schwab, a partir da virada do século XXI, houve uma revolução digital tão significativa a ponta de justificar uma nova – e quarta – revolução industrial. Segundo ele,

É caracterizada por uma internet mais ubíqua e móvel, por sensores menores e mais poderosos que se tornaram mais baratos e pela inteligência artificial e aprendizagem automática, isto é, aprendizagem de máquina ou computação cognitiva. (SCHWAB, 2016)

 A Quarta Revolução Industrial possui megatendências que funcionam como categorias de sua operação. Estas tendências/categorias são:

  • Categoria física:são produtos típicos da Quarta Revolução Industrial, como os veículos autônomos, as impressões 3D, a robótica avançada e novos materiais sintéticos.
  • Categoria digital:é a revolução causada pela Internet das Coisas, isto é, pelos dados gerados pelos mais diversos dispositivos eletrônicos, como smartphones, tablets, microsensores, blockchains e bitcoins – estes últimos dispositivos massivos digitais que funcionam como agentes mediadores autônomos de confiança comercial (blockchains) e moeda virtual (bitcoin).
  • Categoria Biológica:é a revolução na nanobiologia e bniotecnologia, operando sobretudo nas áreas de genética, como a biologia sintética. Dentre em pouco será possível confeccionar tecidos ou até mesmo órgãos a serem transplantados em pacientes. Também a neurobiologia, as neurociências e ciência cognitiva será o vetor da Quarta Revolução Industrial.

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Além das categorias acima citadas, Schwab aponta várias mudanças a serem impactadas pela Quarta Revolução Industrial, a saber, todas controversas e com prós e contras:

  • Tecnologias implantáveis
  • Presença digital
  • A visão como nova interface
  • Tecnologias vestíveis
  • Tecnologias ingeríveis
  • Computação ubíqua
  • Supercomputadores de bolso
  • Armazenamento universal
  • Internet das coisas e para as coisas
  • Casa inteligente
  • Cidade inteligente
  • Big Data para decisões
  • Carros autônomos
  • Inteligência artificial e computação cognitiva
  • Robótica e serviços afins
  • Moedas virtuais (bitcoin) e programas mediadores (blockchain)
  • Economia compartilhada
  • Impressões em 3D
  • Seres projetados
  • Neurotecnologias

Em adição, podemos ainda citar:

  • Realidade aumentada
  • Imersão virtual

 Todos os fatores acima apontam para uma nova Revolução Industrial que, para Schwab, caracteriza a Sociedade da Informação e do Conhecimento. Como se pode perceber, as tecnologias já se tornaram onipresentes e muitas vezes os indivíduos nem a percebem, de tão imersos que estão no seu uso e na sua dependência: já tornou-se algo natural, do qual as pessoas não podem mais ignorar ou prescindir.

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Podemos adicionar ainda que, caracterizando ainda mais aspectos da atual Sociedade da Informação, podemos citar tecnologias e práticas que têm tido cada vez mais destaque nos últimos anos:

  • Big Data:refere-se à infinidade de dados gerados pelos mais diversos dispositivos da atualidade. Tem sido citada por especialistas e visada por empresas a partir da proliferação de smartphones e microsensores, além das redes sociais, que criam uma quantidade colossal de dados a serem interpretados. Sua interpretação só é possível através de softwares específicos para esta tarefa, tal a magnitude e o tamanho dos dados gerados.
  • Internet das Coisas:é o ciberambiente que interliga e conecta todos os dispositivos que acessam a internet, desde torradeiras, sistemas de iluminação e casas inteligentes até acessórios como roupas, relógios, câmeras, smartphones e tudo o mais que possa estar conectados à internet e gerando dados para alguém ou para algum lugar. A quantidade de dados gerada é que consiste no Big Data.
  • Realidade aumentada: é o ambiente de imersão que funde o ambiente físico com o ambiente digital, onde ocorrem simulações e atuações para as mais diversas finalidades. Os indivíduos imergem num ambiente de realidade aumentada de modo a expandir sua capacidade de operação a atuação na realidade, ainda que com atuação em ambiente digital/virtual.
  • Nova realidade espaço-temporal:as novas tecnologias têm ampliado o número de tarefas que podemos realizar no tempo, bem como potencializado a eficácia operacional de nossas atividades, ocasionando uma distorção na percepção do tempo, encurtando períodos para interação e integração que se refletem nos negócios e mesmo na vida social. Da mesma forma, nossa percepção do espaço tem sido encurtada, onde células e coletividades sociais não mais precisam estar fisicamente próximas para operarem. Isso se reflete nos estudos – educação à distância – e mesmo nas práticas trabalhistas – home office – que tem sido adotadas cada vez mais por instituições, tais como escolas, universidade e pelo mundo corporativo.

Informação como recurso essencial e estratégico

Importante ressaltar alguns aspectos controversos sobre o que se entende pela nomenclatura da nova sociedade. Existem especialistas – filósofos, sociólogos etc – que a caracterizam como Sociedade do Conhecimento, enquanto outros tantos a caracterizam como Sociedade da Informação. É sabido que a informação é o veículo para o conhecimento e que o conhecimento se dá pela aquisição de informação. Entretanto, existem vários tipos de conhecimento, buscado pelas mais diversas sociedades ao longo da história. Isso quer dizer que é correto afirmar que todas as sociedades no tempo sempre foram sociedades do conhecimento, fosse conhecimento religioso ou conhecimento prático. Todas as civilizações desenvolveram conhecimentos úteis para a finalidade de seus interesses. Por outro lado, a informação, embora presente em todas as civilizações – fosse oral ou escrita – era apenas o veículo para o conhecimento.

Entretanto, nos tempos atuais, isto é, na sociedade atual, nunca antes a informação em si teve tanto destaque e relevância. Mesmo os dados, que são registros passíveis de transformação em informação, adquiriram uma importância sem precedentes nos tempos atuais. No caso da informação, esta inclusive tornou-se objeto de investigação científica – Ciência da Informação – que estuda suas propriedades e impactos sociais e tecnológicos. Assim, percebe-se que faz mais sentido caracterizar a sociedade atual como Sociedade da Informação ao invés de Sociedade do Conhecimento. A informação, ela mesma, tornou-se um ativo tão importante e estratégico como outros fenômenos, bens ou artefatos criados pela civilização, como por exemplo o capital. O mesmo vale para a caracterização dos tempos atuais, isto é, Era da Informação ao invés de Era do Conhecimento.

Por esse motivo, faz mais sentido caracterizar a sociedade atual como “Sociedade da Informação”, ao invés de “Sociedade do Conhecimento” 

Conquanto existam vários teóricos entusiastas da Era da Informação e da Sociedade da Informação, há também aqueles que são extremamente críticos em relação aos fenômenos que caracterizam a era e a sociedade atual. Para estes, como Marshall McLuhan, Armand Mattelart, Zygmunt Bauman e Paul Virilio, dentre outros, os tempos modernos têm corrompido a sociedade, destruindo aspectos das relações humanas, sociais, políticas e econômicas. As tecnologias, mesmo que possam ser neutras em si mesmas, são máquinas e ferramentas que inevitavelmente servem aos interesses de estados e do capital, oprimindo e controlando a vida dos indivíduos. Ainda que McLuhan tenha se referido ao conceito de Aldeia Global como aspectos de integração promovidos sobretudo pelos meios tradicionais de comunicação de massa – como a TV – por outro lado Castells, como entusiasta, concebe uma Aldeia Global como a sociedade interconectada em rede.

As mudanças e as revoluções sociais e tecnológicas têm sido cada vez mais velozes, profundas e complexas, oferecendo desafios que transcendem uma capacidade superficial de interpretação e entendimento. Mesmo especialistas relatam extrema dificuldade em interpretar os fenômenos atuais, tal a frequência de ocorrência, bem como sua rapidez. Quase todos são unânimes em reconhecer que suas ideias são passíveis de erros – seja pela subestimação ou pela supervalorização dos mesmos. Também interpretar os impactos na sociedade de tais fenômenos requer um jogo que implica uma longa observação de relação causais, tempo que os especialistas não dispõem, pois corre-se o risco de, quando perceberem tais relações de causa e efeito, o paradigma já tenha mudado.

Entretanto, é inegável que a coerência de suas ideias, teorias, observações e apontamentos é extremamente significativa para nos situarmos no momento atual, tanto no tempo quanto no espaço. Sem suas contribuições, indubitavelmente ficaríamos impotentes e perdidos ante à avassaladora mudança e complexidade dos fenômenos trazidos pelas cada vez mais incessantes e profundas revoluções que as tecnologias nos trazem. Suas ideias são guias que permite-nos avançar e lidar com as novas realidades que deparamos a todo momento.

***

Referências

CASTELLS, Manuel. La Sociedad Red: la era de la información: economía, sociedad y cultura. 2. ed. Madrid: Alianza Editorial, 2000.

DRUCKER, Peter. A Sociedade Pós-Capitalista. 4. ed. São Paulo: Pioneira, 1995.

HALÉVY, Marc. A Era do Conhecimento: princípios e reflexões sobre a revolução noética no século XXI. São Paulo: Unesp, 2010.

LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1993.

__________. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ, Martius V. Gestão Empresarial: organizações que aprendem. Rio de Janeiro: QualityMark, 2002.

SCHAFF, Adam. A Sociedade Informática. São Paulo: UNESP/Brasiliense, 1997.

SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016.

 

 

VIII Encontro Acadêmico do Dep. de C.I. (IACS/UFF)

Acontece entre os dias 21 e 24 de agosto o Encontro do Departamento de Ciência da Informação.
O evento é realizado semestralmente para acolher e dar as boas-vindas às(aos) alunas(os) dos cursos de Arquivologia & Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal Fluminense e está aberto às(aos) demais interessadas(os) em conhecer alguns aspectos da formação acadêmica de arquivistas e bibliotecários, e as possibilidades de pesquisa e trabalho no campo informacional.
Capa FB VIII Encontro do GCI

Divulgação científica e genética brasileira através dos estudos de Darcy Fontoura de Almeida

Aline Gonçalves da Silva

Mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI-IBICT

Especialista em Sistemas de Informação e Qualidade Total

Membro do Grupo de Trabalho para elaboração dos Programas específicos da Política de Preservação e do Grupo de Trabalho para criação da Política de Indexação e construção de vocabulário controlado dos Acervos da Casa de Oswaldo Cruz

linegonsi@yahoo.com.br

Se acompanhar a evolução do conhecimento científico na minha própria área já é difícil, fica muito mais complicado acompanhar as áreas vizinhas. Manter uma divulgação precisa e exata vai depender cada vez mais de conhecimentos muito mais sofisticados. Às vezes, é muito difícil simplificar o conhecimento, especialmente quando se trata de um fenômeno interdisciplinar, que se encaixa em campos que cobrem fronteiras várias. (Darcy Fontoura de Almeida).

A declaração acima reflete bem os desafios que circundam a difusão da ciência, considerando as relações de disciplinaridade e o acesso a documentos; este, por sua vez, está no meio da dualidade entre a salvaguarda do suporte físico e a disponibilidade para consulta. O avanço tecnológico favorece grandemente o rompimento de certos limites, mesmo assim, a produção científica cresce tão velozmente quanto se desenvolve a tecnologia. E é sobre um ícone em divulgação científica que venho compartilhar.

Com muitos títulos relacionados à ciência, a coleção bibliográfica de Darcy Fontoura de Almeida revela os principais temas nos quais o cientista concentrou seus estudos. Livros sobre filosofia da ciência, história da ciência, educação brasileira, universidade e biografias de cientistas. Essa coleção representa o primeiro esforço em reunir fisicamente as tantas coleções particulares que possui a Biblioteca de História das Ciências e da Saúde (BHCS), pertencente à Casa de Oswaldo Cruz (COC), unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comprometida com a preservação da memória da Fiocruz e que desenvolve atividades de pesquisa, ensino, documentação e divulgação da história da saúde pública e das ciências biomédicas no Brasil.

Por muitos anos, as coleções particulares estiveram organizadas no acervo misturadas com a coleção geral. Era possível recuperar todos os livros e saber que eles fazem parte de uma coleção, entretanto, não se tinha uma visão geral de como era a coleção já que seus exemplares não estavam reunidos. A biblioteca sempre se preocupou em registrar em seus controles de acervo quando o livro pertence a determinada coleção. Contudo, a curiosidade aliada à percepção das questões que circundam a temática da memória, despertaram o interesse em conhecer mais intimamente o que são as coleções particulares, estimulada, ainda, pela Política de Preservação desenvolvida pela COC. Assim, a biblioteca foi sentindo necessidade de agrupar os itens segundo coleção a que pertencem.

O acervo desta coleção, que também é composta por itens arquivísticos, contabiliza 580 títulos bibliográficos, incluindo monografias, folhetos e periódicos. A parte arquivística é contemplada com 30 cadernos de registro de ideias, intuições e descobertas da história da ciência no Brasil.

O CIENTISTA

  Fonte: Academia Brasileira de Ciências                  Fonte: Academia Brasileira de Ciências

Como figura importante para a ciência brasileira, o geneticista carioca Darcy Fontoura de Almeida (1930-2014) contribuiu pioneiramente com os estudos em biofísica e genética, concentrando seu investimento intelectual na análise de sequências de nucleotídeos em genomas bacterianos completos e na história da ciência brasileira contemporânea, sobretudo, a sua divulgação.

Apesar de ser aluno de medicina, não se interessava em manipular peças de cadáveres e tampouco suportava o cheiro do formol. Assim, logo se aproximou da biofísica – que juntamente com anatomia e histologia compunham o primeiro ano do curso de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde se graduou. Foi um aluno interessado pela disciplina e alcançava bons resultados. Por sugestão de um amigo, comprou e leu o livro Biophysical chemistry, de Edward S. West – o qual não consta nas doações recebidas –, com o qual se encantou mesmo sem ser proficiente em inglês. Seus primeiros passos na atividade científica se deram aos 20 anos quando participou do curso de Métodos físicos aplicados à biologia e à medicina. No ano seguinte, ele transmitiu aos calouros da medicina o aprendizado que obteve naquele curso, no qual manipulava todos os equipamentos.

Ainda estudante, Darcy participou do grupo de pesquisa com o cientista Carlos Chagas Filho no recém fundado Instituto de Biofísica, na Universidade do Brasil, e se identificou muito com o trabalho. Lá, passava o dia inteiro pesquisando e discutindo, fazendo diversos experimentos, repetidamente até que fosse obtido algum resultado satisfatório. Em 1954, foi a Londres fazer pós-graduação no Hospital Hammersmith.

A preocupação com a divulgação científica surgiu por aspirar que seu trabalho estivesse acessível à população assim como os outros assuntos. Foi nessa intenção que se aproximou da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na qual difundia-se ciência nas reuniões anuais.

O acesso de Darcy a SBPC foi propício aos acontecimentos que se sucederam. Teve contato com o grupo que fundou a Revista Ciência Hoje. Retratando os objetivos que propunha com a divulgação científica, visava alcançar a sociedade nos mais diversos âmbitos temáticos, conforme se pode notar na elaboração do primeiro número da Revista Ciência Hoje:

Pegamos as pessoas que estavam mais disponíveis e fizemos o primeiro número, que é muito interessante. Começamos com o artigo do Roberto Lent, ‘Cem bilhões de neurônios’. Tinha também que ser eclético, difundir o que era feito em todos os ramos da investigação científica. Então esse número trazia também artigos sobre índios e música. E tinha ainda um cunho político: o primeiro número discutia política científica, universidade e educação. Fazíamos questão que fosse uma revista brasileira: queríamos mostrar o que estava sendo feito aqui, o que era a ciência nacional. (BRASILIANA, 2010).

De intensa vida científica, Darcy de Almeida foi consultor científico da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em Paris, e atuou em diversas outras instituições como a Sociedade Brasileira de Genética, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Criou o Laboratório de Fisiologia Celular, em 1970, para estudo do controle genético de funções celulares em bactérias. Participou como membro do Conselho Científico Consultivo do Ministério da Ciência e Tecnologia e colaborou na fundação de publicações como o Informe SBPC que atualmente denomina-se Jornal da Ciência, as revistas Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças. Sempre esteve preocupado com a divulgação científica.

Por sua atuação em grandes instituições nacionais – UFRJ, CNPq, FINEP – recebeu diversas premiações. Dentre algumas, destaca-se: em 2000, a condecoração como comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico pela Presidência da República do Brasil; em 2007, uma homenagem em função de seu pioneirismo e grandiosa contribuição aos estudos em genética brasileira, pela Sociedade Brasileira de Genética; e em 2008, nomeando a “Unidade de Genômica Computacional Darcy Fontoura de Almeida”, do Laboratório Nacional de Computação Científica; em 2002, recebendo a Medalha Carlos Chagas Filho do Mérito Científico pelos esforços empreendidos na área de ciência, tecnologia e cultura; e no mesmo ano a Medalha de Honra ao Mérito da V Jornada Científica, pelo Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho.

Na Fundação Oswaldo Cruz, Darcy atuou como professor visitante. Dedicado em história da ciência contemporânea, Darcy era presença constante na biblioteca e na sala de consulta do arquivo da Casa de Oswaldo Cruz, onde pesquisava sobre o cientista Carlos Chagas Filho (1910-2000), com quem trabalhou por 50 anos e sobre a história do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. A pesquisa sobre este cientista ocupou Darcy nas últimas décadas de sua vida.

A COLEÇÃO

A Biblioteca de História das Ciências e da Saúde recebeu a coleção de livros do doutor Darcy em 28 de abril de 2014. A vontade de disponibilizar em tempo mais breve possível impulsionou as ações da biblioteca. Assim que chegou, a coleção foi higienizada e o processamento técnico ocorreu seguidamente. Vale registrar que ela chegou num momento em que estava se alcançando um estado de quitação de tratamento técnico do passivo acumulado por outras doações recebidas.

Fonte: O autor                     Fonte: O autor

Sintetizando a composição desta coleção, são encontrados livros que versam sobre ciência, educação, genética, divulgação científica, o Instituto de Biofísica, Carlos Chagas Filho. Em relação às marcas de propriedade, encontramos carimbo seco, assinaturas, dedicatórias, marcas de leitura. Possui uma única obra rara que se intitula O minuto que vem, de autoria de Carlos Chagas Filho, de quem Darcy foi discípulo e amigo, livro nascido da atividade intelectual realizada no cotidiano com o qual Darcy Fontoura compartilhou pessoalmente.

Fonte: O autor

Fonte: O autor

Significativa aquisição, a Coleção Darcy Fontoura de Almeida representa mais uma responsabilidade com a salvaguarda da memória bibliográfica científica de quem tanto contribuiu para o incremento da pesquisa nacional, nos mais diversos segmentos. A sociedade conta o acesso ao que serviu de suporte a uma produtiva trajetória científica. Darcy acreditava que os interessados pela ciência também precisavam ter conhecimento sobre política científica, e da mesma forma, os temas de caráter social também precisavam ser divulgados sob o ponto de vista científico.

Um olhar sobre as coleções particulares da BHCS permite-nos perceber a existência de diversos laços científicos entre os produtores destas coleções. Darcy, por exemplo, conviveu com José Reis, José Leite Lopes e Carlos Chagas Filho, atuando na pesquisa científica. Estes cientistas doaram toda ou parte de suas coleções bibliográficas à BHCS por entenderem que este é o lugar de memória apropriado para preservar esses livros e no qual não só a comunidade acadêmica fará bom uso, mas a sociedade em geral poderá acessar. O conjunto do acervo da BHCS constitui uma rede de memória em história da ciência e da saúde no Brasil.

A aquisição desta coleção para a Fiocruz é importante porque suas coleções particulares pertenceram à cientistas e técnicos atuantes nas áreas da linha temática institucional, configurando assim a trajetória de algumas atividades e execução de pesquisas que se deram no âmbito desta instituição. Para a ciência, a coleção Darcy Fontoura de Almeida é um conjunto representativo dos esforços dispensados a ciência nacional. Para a memória, é mais uma iniciativa a fim de evitar que esse conhecimento se perca no tempo e no espaço, permitindo que esse legado científico seja perpetuado para a sociedade.

REFERÊNCIAS

BRASILIANA: a divulgação científica no Brasil.Fundação Oswaldo Cruz. 19 abr. 2010. Disponível em: http://www.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=81&sid=31. Acesso em: 13 jul. 2017

 COSTA, André. Fiocruz recebe acervo de pioneiro da biofísica e da genética. Fundação Oswaldo Cruz. 07 out. 2016. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/fiocruz-recebe-acervo-de-pioneiro-da-biofisica-e-da-genetica. Acesso em: 13 jul. 2017.

DARCY Fontoura de Almeida. Academia Brasileira de Ciências. Disponível em: <http://www.abc.org.br/~darcy>. Acesso em: 12 jul. 2017.

Imagem, memória e informação: anais do seminário aberto do Grupo de pesquisa Imagem, Memória e Informação

Alejandra Aguilar Pinto

Doutora em Ciência da Informação – Universidade de Brasília

Chefa da Biblioteca Universidad Arturo Prat – UNAP/Chile

Membra do Grupo de Pesquisa Imagem, Memória e Informação (IMI-UnB)

ale.unb@gmail.com

 

MANINI, Miriam Paula; MARQUES, Otacílio Guedes; MUNIZ, Nancy Campos. (Orgs.) Imagem, memória e informação. Brasília, DF: Ícone Editora e Gráfica, 2010.

Resumo:Imagem, Memória e Informação” é uma coletânea de diversas pesquisas que exploram o papel dos suportes imagéticos tradicionais (fotografias, quadros, filmes) até os formatos digitais, cuja convergência levou a um novo tipo de analise, descrição e recuperação de informação, que implicam outros parâmetros para sua disponibilidade.  Dão se a conhecer diversos estudos teóricos/empíricos, enfocados nos desafios de este tipo de documentação que passou a ser parte essencial de muitas instituições de memórias oficiais ou bem resgatou-recuperou saberes, mas agora num ambiente digital.

Palavras-chave: Informações imagéticas. Unidades de Informação. Analise-Recuperação da Informação.

Desde que a humanidade desenvolveu a sua capacidade de comunicação, foram chaves os sinais-símbolos ou registros como uma forma de transcendência o qual foi constituindo com o tempo uma memória e que nos dias de hoje nos permite saber o que aconteceu em tempos pretéritos.

Assim, a escrita, as pinturas, fotografias, filmes até a convergência digital, a evolução dos registros dos conhecimentos tem impactado a forma de comunicar-nos e, por conseguinte, aos profissionais dedicados ao trabalho de organizarem os estoques onde confluem agora diversos tipos de suportes além dos muros.

Em Imagem, Memória e Informação, estão reunidos os trabalhos apresentados por motivo do Seminário Aberto do Grupo de Pesquisa Imagem, Memória e Informação sediada na Universidade de Brasília, em novembro de 2009.

Esta obra nos apresenta a importância deste tipo de formato, o imagético, os desafios que implica seu analise, descrição, registro, difusão e, sobretudo, a recuperação visando a satisfazer as necessidades do usuário que cada vez mais precisa de documentos onde a informação contida nele esta afetada por diversas variáveis internas-externas a diferença dos suportes tradicionais escritos.

O livro organizado pelos professores Miriam Manini, Otacílio Guedes e Nancy Campo, está dividido em nove capítulos com foco na relação entre as imagens, a memória e a informação, isto é, a vigência das fontes informativas do tipo imagético na construção, configuração da memória histórica, cultural e social no qual as unidades de informação (museus, arquivos, bibliotecas, entre outras) têm uma missão chave na sua disponibilidade, pois constituem uma fonte verídica, objetiva e complementar de informação.

Na sua apresentação o livro ressalta o contexto de origem desta obra “o Grupo IMAGEM, MEMORIA E INFORMACAO (IMI) e tem como o objetivo geral estudar questões relacionadas à imagem especialmente quando tangenciem reflexões atinentes a Memória e a patrimônio histórico, confluindo ambas temáticas para o ideário da Ciência da Informação” (p. 9)

O destaque do assunto imagético no livro está já no primeiro capítulo “Leitura de informações imagéticas: ajustes ainda necessários ao ‘novo’ paradigma” onde se ressalta que o tratamento informacional de fotografias, inclusive em formato impresso, implica uma mudança de paradigma pois a isto se acrescentou o ambiente digital  incentivando um tipo de narrativa de leitura antes da sua analise documentaria.

O impacto das tecnologias de informação nos suportes imagéticos é muito bem descrito no capitulo seguinte “Imagem, usabilidade e emoção”, “cujo objetivo geral foi realizar uma pesquisa sobre o desenvolvimento da imagem da Interface Humano-Computador (IHC) do usuário de informação levando em consideração o usuário, o design emocional e a ergonomia cognitiva” (p. 33) aqui o usuário é quem cria e recupera as informações digitais, portanto é preciso considerar um novo desenho dos sistemas de informação digital onde a usabilidade e ergonomia são muito importantes.

Desde um ponto de vista sociológico e histórico três capítulos nos apresentam como o conhecimento histórico é construído a partir das fontes imagéticas e seu papel na construção da memória histórica de uma instituição, onde as unidades de informação têm muito a contribuir.

Assim no capitulo “O que as imagens fazem” destacasse “as possibilidades de interpretação das imagens a partir da ação que podem exercer sobre a realidade social” (p. 51). A partir de um caso concreto analisando as imagens de obras de arte agindo sobre a política brasileira no inicio da república são demonstradas algumas maneiras de como pode se dar a influencia das imagens no mundo, como a criação de memórias, a formação de cidadãos, a denuncia, a idealização e a construção de conceitos entre os próprios artistas.

Em a “Imagem e construção do conhecimento histórico: investigando a organização de conceitos históricos a partir de imagens no ensino fundamental e médio” se objetiva “investigar a organização de conceitos históricos calcados em imagens, considerando a perspectiva de alunos do ensino fundamental e médio, coletadas a partir de questionários semi-estruturados” (p. 167). Para isso se fez uma análise das obras educativas neste nível educativo sobre as imagens presentes nelas e como impactaram no saber histórico dos alunos.

E em a “Informação histórica: recuperação e divulgação da memória do poder judiciário brasileiro” o autor destaca que esta pesquisa “pretende compreender como o Poder Judiciário vem tratando a sua memória, pois o assunto é pouco explorado na literatura acadêmica” (p. 111). Ante a falta de uma padronização das atividades e dos objetivos das unidades de informação neste tema, indica que há uma obrigação em face das possibilidades das tecnologias de informação e a oportunidade de preservação da memória e o resgate da documentação histórica.

Respeito aspectos da análise, organização, difusão e recuperação das informações imagéticas com foco no usuário e no trabalho com este tipo de informação por parte do profissional de informação, três capítulos apresentam estes desafios.

 “A recepção do espectador de filmes: parâmetros para a análise indexadora”. Aqui se resgata o papel do espectador inicial dos filmes, os quais nos poderão dar parâmetros para uma analise indexadora por parte do profissional da informação.

No capitulo “Imagens: polissemia versus indexação e recuperação da informação” há um alerta no tipo de informação que implicam as imagens, já que existem dificuldades e limitações para a indexação e recuperação da informação imagética em função de sua polissemia.

A “novidade” do tema dos estoques informacionais imagéticos fica em evidencia no capítulo “Usuários de arquivos fotográficos” onde o autor dá a conhecer o tipo de trabalho que implica processar ou analisar fotografias e os tipos de produtos/serviços que podem ser oferecidos nestas unidades. Ante a escassez de bibliografia sobre estudos de usuários de arquivos fotográficos ou de imagens, esta pesquisa empírica visa identificar as principais características dos usuários dos arquivos fotográficos, sendo de uma utilidade como um instrumento para avaliação e planejamento de ações futuras neste âmbito.

Para finalizar cabe mencionar o capitulo que destaca a influencia que pode ter uma imagem institucionalizada vinculada a um órgão de pesquisa governamental e que até os dias de hoje perdura sem grandes variações, esta pesquisa “O símbolo e a construção imaginaria de uma instituição” como a autora indica “tem por objeto de análise a imagem que se constitui como símbolo do CNPq, no período dos governos militares, partir principalmente de um referencial teórico” (p. 125) concluindo a força que este adquiriu no tempo, não foi por sua massividade, mas sim pelo foco que teve, isto é, os grupos relacionados com a missão da instituição, ou seja, aqueles vinculados às atividades de Ciência e Tecnologia.

A contribuição deste livro ao tema da Memória social ou coletiva, mas também institucional ou oficial, por parte das informações imagéticas tradicionais ou digitais, desde já um tempo sendo organizadas, analisadas, disponibilizas ou recuperadas por profissionais de informação é algo destacado. Os relatos teóricos e empíricos nos fornecem subsídios para avançar em pesquisas neste âmbito, em uma era onde o visual, sonoro, gráfico, conflui agora no espaço digital, ampliando os horizontes dos sistemas de informação além dos muros.

Porém, aqui também os usuários são peça central em cada um dos textos, podendo ter diversos papeis, desde um espectador de imagens, até criador, utilizador ou consumidor em tempos de conexão, rapidez e do efêmero. Contudo, os recursos imagéticos analógicos foram reforçados e adquiriram um novo significado pelas interpretações que podem ter a diferença de um registro tradicional escrito.

Desta forma faz se preciso que novas pesquisas sejam feitas no contexto da digitalização, virtualidade e conexão, pois agora tem acontecido uma maior produção como nunca antes deste tipo de formatos imagéticos, onde há mais autores, existindo também riscos em face desta imediatez e volatilidades de informações que podem sofrer mudanças pelas debilidades do ambiente eletrônico digital.

Por conseguinte, está o desafio e oportunidade de enriquecer as unidades de informação com este tipo de recursos, tendo como foco sempre as necessidades informativas dos usuários, os quais estão cada vez mais empoderados e atentos aos registros imagéticos que se veiculam por diversos tipos de meios como é a internet, mas também há um resgate-recuperação das fontes tradicionais imagéticas que estão sendo revalorizadas, com novas leituras, interpretações, enriquecendo as pesquisas.

Entrelaçamento informação e memória: um encontro

Geni Chaves Fernandes

Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia da UNIRIO

geni@centroin.net.br

 

O entrelaçamento informação e memória no campo da CI, consolidado em diversas matizes de suas pesquisas, pode parecer aos ingressantes no campo que sempre esteve aí. Mas como a CI, um campo de conhecimentos que nasceu voltado para a informação em ciência e tecnologia, onde documentos com informações úteis também eram examinados e triados levando-se em conta seus prazos de validade (obsolescência) se encontrou com os estudos da memória? Não a memória de armazenamento dos sistemas de recuperação da informação, mas a inerente à cultura e à comunicação? Aqui nos propomos a perguntar sobre indícios que, no seu trajeto, levou a CI ao encontro da memória.

Se dizemos encontro, é porque esta relação nem sempre foi óbvia. A diferenciação proposta, quando se estruturou a CI como nova e alternativa em relação à Biblioteconomia, obscureceu o documento em favor da informação, tirando de cena aquilo que poderia ter o papel mais imediato de elo entre a CI e a memória. Os estudos dos sistemas de recuperação da informação, que punham foco na eficiência para atender ciência e tecnologia, pressupunham-se a lidar com conhecimentos de validade universal, portanto a-históricos e a-culturais, num visível diferencial em relação à biblioteca, vista como de instituição de memória (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2000, HORLAND, 2000). É por isso que se pode perguntar, como a CI encontrou os estudos da memória?

Elementos do percurso da CI podem nos fornecer pistas. Nossa suposição é que foi numa espécie de diáspora de seus pesquisadores que alguns encontraram os estudos da memória. Ao mesmo tempo, o interesse pelo fenômeno informacional foi se generalizando nas diversas áreas de conhecimento, e foi possivelmente nesta generalização que estudos da memória encontraram a CI. Daí temos a suposição de um movimento duplo, em que pesquisadores da informação na CI são lançados a impensados da informação e que pesquisadores de outras áreas são lançados a impensados trazidos pela informação. Os aspectos aqui apresentados desta trajetória são pistas.

Grosso modo pode-se dizer que a CI se instituiu nos Estados Unidos e na Rússia como uma ciência que deveria ser capaz de construir métodos e instrumentos de informação em vista do controle e desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia. A reunião e produção de conhecimentos, ancorados em pesquisadores de diferentes áreas, sua chamada interdisciplinaridade, respondeu a uma demanda de Estado (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2003). Passadas a depressão de 30, a segunda guerra mundial, e estando no contexto de guerra fria, os estudos econômicos colocavam tônica nos modelos de crescimento e desenvolvimento. Aí se apontava o conhecimento da ciência como a origem do progresso técnico (hoje chamado tecnológico), a partir de modelos lineares (science push e demand pull). Nos modelos econômicos, o conhecimento científico era uma variável tanto fundamental quanto exógena. Ações e políticas de Estado buscariam, então, tornar endógena a produção do conhecimento científico. Aos esforços de diversas áreas, para deslindar e modelar o funcionamento da ciência em seu processo de produção, deveriam se aliar investimentos (estímulos) e instrumentos de monitoramento (feed-back). A CI emerge como uma ciência instrumental, auxiliando nestes esforços, tendo como função desenvolver meios ágeis e eficazes de estímulo (informação para ciência e tecnologia) e de monitoramento (informação sobre a ciência e tecnologia). Não é por acaso que o período entre os anos 1950 e 1970 é tido como a “era de ouro” da CI nos Estados Unidos, já que ela que contou com vultosos recursos do Estado e a expansão da área no mundo (BURKE, 2007, p.7).

Ao período das vacas gordas sucedeu-se o das vacas magras. A política de Estado para ciência e tecnologia passou a contar com novos modelos não lineares e multiatores, e se introduz o empreendimento privado com a inclusão da inovação em polos e empresas. Os recursos para fomento da pesquisa passaram a ser disputados por um maior número atores e com o neoliberalismo transferiu-se parte da responsabilidade de financiamento e direcionamento da produção de conhecimentos do setor público para o setor privado. Ziman (2000) marca estas transformações utilizando o termo “ciência pós-acadêmica” e foi neste “pós-acadêmico” que se veria uma dispersão de pesquisadores do campo por outras áreas e para fora da academia, por isso utilizei o termo diáspora. Alguns foram para as pesquisas na iniciativa privada, outros criaram empreendimentos próprios, como Eugene Garfield que construiu o seu Science Citation Index (BURKE, 2007, p. 16). Mas esta pequena diáspora não dissolveu, antes espalhou conhecimentos produzidos na CI, levando controles da informação e controles pela informação para empresas e organizações, que foram ali adaptados e transformados.

É neste pós-diáspora que pipocam no campo aportes teóricos que se lançam em novas relações interdisciplinares, começando pelo o cognitivismo, seguido por diversos aportes ancorados em filosofias da linguagem e teorias sociais. A profusão teórica trouxe receios de esgarçamento e fragmentação da CI que iria mobilizar diversos estudos históricos e epistemológicos nos anos 1980 e 1990, fossem em busca da identidade perdida, fossem por uma unificação teórica. O arranjo dos três paradigmas de Capurro (2003), representa uma tentativa acomodação diante do quadro ameaçador e da impossibilidade da então desejada unificação (CAPURRO; FLIESHNER; HORFKIRCHNER, 1999). Mas é na direção de novas relações de área que, na busca por outras ancoragens interpretativas, a CI reencontra o documento como uma espécie de elo perdido, especialmente nos estudos dos chamados neodocumentalistas, e nossa suposição é que aí se abre uma porta para seu encontro aos estudos da memória. A CI é lançada nos impensados da informação, no que se refere à sua relação com a memória. Há de se examinar as dimensões da escritura, do documento e da informação na conformação da memória, mas há de examinar os indícios da interferência e resistência das tradições (da memória coletiva) nas trocas e construções sociais da informação que acabam por interferir na conformação documental, mesmo na ciência, tecnologia e inovação.

É também nas duas décadas do final do século passado que as transformações socioeconômicas, associadas a um modelo de ciência pós-acadêmica,  generalizam o interesse pela informação, emblematizado no termo “sociedade da informação”. Embora Halbwachs já tivesse teorizado sobre a memória na primeira metade do século, só no final dos anos 1970 se consolidam os estudos da memória social associado às tradições, identidade, mas também à sua instrumentalização por políticas de memória (PERALTA, 2007). A transmissão da cultura entre gerações, num Ocidente lastreado pela escritura e com partilhas midiáticas da realidade, coloca o informacional como fenômeno incontornável aos estudos da memória, seja como meio de manutenção, seja de colonização. E é possivelmente por aí que se abriu a porta para o encontro dos estudos da memória com a CI.

Abertas as pesquisas que incluem os estudos da memória na CI, também se abre a necessidade de reflexão sobre suas repercussões e perspectivas no campo e no seu entendimento do fenômeno informacional, que passa pelo exame crítico de sua trajetória histórica. Aqui temos apenas pistas.

REFERÊNCIAS

BURKE, Colin. The history of information science. Annual Review of Information Science – ARIST, v. 41, p. 3 – 53, 2007. Disponível em: <https://www.asis.org/Publications/ARIST/vol41.php>. Acesso em: 22 ago. 2014.

CAPURRO, Rafael; FLEISSNER, Peter; HOFKIRCHNER, Wolfgrand. Is a unifed theory of information feasible? A trialogue. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON THE FOUNDATIONS OF INFORMATION SCIENCE, 2., 1996, Viena. Proceedins… HOFKIRCHNER, Wolfgrand (Org.). The quest for a unified theory of information. Amsterdam: Gordon and Breach Publishers, 1999, p. 9-30. Disponível em: <http://www.capurro.de/trialog.htm>. Acesso em: 25 jul. 2010

GONZÁLEZ DE GÓMEZ, Maria Nélida. Metodologia de pesquisa no campo da Ciência da Informação. DataGramaZero, v.1, n. 6, dez. 2000. Disponível em: <http://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/127/1/GomesDataGramaZero2000.pdf>. Acesso em: 20 out. 2008.

GONZÁLEZ DE GÓMEZ, Maria Nélida. As relações entre ciência, Estado e sociedade: um domínio de visibilidade para as questões da informação. Ciência da Informação, v. 32, n. 1, p. 60-76, jan./abr. 2003. Disponível em: <http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/131>. Acesso em: 15  mar. 2004.

HJORLAND, Birger. Documents, memory institutions and information science. Journal of Documentation, v. 56. n. 1, p. 27-41, 2000. Disponível em: <http://www.emeraldinsight.com/doi/pdfplus/10.1108/EUM0000000007107>. Acesso em: 22 out. de 2015.

PERALTA, Elsa, Abordagens teóricas ao estudo da memória social: uma resenha crítica. Arquivos da Memória, n. 2 (nova série), 2007. Disponível em:<http://www.fcsh.unl.pt/revistas/arquivos-da-memoria/ArtPDF/02_Elsa_Peralta[1].pdf >. Acesso em 29 abr. 2017.

ZIMAN, JOHN. Real science: what it is, and what it means. Cambridge: Cambridge University Press, 2000.

III Encontro sobre Livro, Leitura e Inclusão Social no Território Nordeste II da Bahia

III Encontro sobre Livro, Leitura e Inclusão Social no Território Nordeste II
Com a temática “Leitura: do espaço íntimo ao público”, será realizado entre os dias 03 e 05 de agosto de 2017 o “III Encontro sobre livro, leitura e inclusão social no território Nordeste II da Bahia” em São José do Paiaia, Nova Soure, Bahia. O evento, que tem o apoio do IBICT, contará com a participação do pesquisador Rodrigo Piquet Saboia de Mello.

Memória e cultura material

Por Eliane Monteiro de Santana Dias

Inicio minha fala me reportando ao historiador francês Pierre Nora a respeito da memória. O autor afirma existirem “lugares de memória” e, como minha formação é em biblioteconomia, a biblioteca aqui é compreendida como um lugar de memória. Um desses lugares especiais onde memórias são estocadas, guardadas e preservadas, através da seleção de experiências (individuais ou coletivas) dos seus autores que as fizeram imortais através do registro (memórias) em papel ou qualquer outro tipo de suporte, os quais levaram o ser humano para a realidade da materialização do pensamento.

A memória é um campo também onde se fala de dois processos em constante fluxo esquecimento e lembrança. Conforme Pimenta (2014, p. 4784): “o fato é que transformamos em informação nossas memórias para melhor guardá-las do esquecimento; damos a elas forma com o objetivo de melhor recuperá-las de pronto”.

De acordo com Crippa (2010, p. 81), a memória é o único instrumento através do qual ideias e palavras podem ser reunidas, fugindo, assim, ao império do imediato: imprime as direções do tempo e permite uma continuidade social. “Sem ela [memória] não seria possível manter alianças nem contratos, que não poderiam ser mantidos ou cobrados. Desapareceriam os elos sociais e a própria noção de sociedade. Por fim, desapareceriam as identidades individuais e coletivas, assim como a própria possibilidade de conhecimento. Portanto, a memória se constitui como princípio todo fundamento e transmissão cultural”.

Assim, a partir do registro da memória por meio da escrita foi que se tornou possível a sua armazenagem e permanência para as futuras gerações, portanto, a escrita é um instrumento de preservação da memória. Antes da escrita, a forma que o homem dispunha para transmitir a informação era de forma oral, mas esse canal de informação sofria alterações de acordo com a mudança do narrador, que, muitas vezes, além de agregar sua experiência de vida pessoal, às vezes se desviava do fato original.

A informação, como campo científico e profissional, se tornou possível a partir do momento em que o homem passou a registrar o conhecimento que circulava em forma oral nas comunidades humanas. Esse é o papel das bibliotecas: reunir, organizar, preservar e disseminar o conhecimento/informação.  Dijck (2007) afirma que biblioteca também pode ser usada para explicar a retenção de informações ou a preservação da experiência em um espaço fechado, de onde ela sempre pode ser recuperada por um comando. Nas palavras de Pomian (2000, p. 511): “Os documentos escritos, esses sim, possuem uma duração, a duração das coisas. […] Ao contrário da tradição oral, na qual a relação entre o passado e o presente é imediata, porque o segundo é apenas um prolongamento do primeiro, o que no limite permite a sua identificação, os documentos escritos oferecem a possibilidade de perceber as diferenças entre passado e presente, supostos à partida separados por um intervalo de tempo durante o qual aconteceu algo e reunidos virtualmente numa série mais ou menos longa de intermediários”.

Mediante ao exposto, podemos afirmar que a biblioteca também é local de preservação da cultura material através da preservação dos registros bibliográficos nela contidos. Funari e Carvalho (2009) entendem a cultura material como suporte de memória e identidade.  Os autores afirmam também que a cultura material é um instrumento essencial na constituição do patrimônio cultural e das pesquisas históricas.

Para Funari e Carvalho (2009), a cultura material, mais do que um produto humano é um estimulador de mudanças nas relações sociais, que está intimamente ligado à memória, dá suporte ao patrimônio e impulsiona a construção de identidades e fatos históricos. Ainda segundo os autores, cultura material também pode ser entendida por tudo que é produzido ou modificado pelo ser humano, que faz parte do seu cotidiano e está sempre presente na vida dos grupos sociais. Esta cultura é composta por diferentes tipos de materiais com os quais os humanos lidam no seu dia a dia e para tanto é necessário adaptações e mudanças para adequá-los as suas necessidades de moradia, trabalho, lazer etc. Esses indivíduos interferem e modelam os recursos naturais de acordo com suas vontades, necessidades e habilidades de tal forma que esses objetos venham a saciar suas necessidades físicas, emocionais, intelectuais e espirituais. Os objetos possuem uma vida social, por onde os objetos passaram, a quem pertenceram, determinam o seu valor mercadológico e simbólico, os objetos materiais funcionam como veículos de qualificação social. A materialidade torna-se um suporte essencial por sua condição de ferramenta para a vida social, pensamos e nos expressamos por meio dos objetos, um modo fundamental de comunicação não discursiva. A cultura material, além da materialidade possui também um caráter simbólico, porque carrega em si à imaterialidade das coisas.

O conceito de “cultura material” nasceu na segunda metade do século XIX com os estudos da Pré-História, mas o termo só começou a ser difundido a partir de 1919. A cultura material pode ser entendida também, como vestígios do que o homem produz, podendo ser chamados de artefatos que representam uma documentação palpável e objetiva que pode ser usada para o estudo de modos de vida. Pode-se dizer que os vestígios também funcionam como provas concretas ou materiais do funcionamento de determinadas culturas.

Os artefatos ou objetos são intermediários na relação homens mundo, ou seja, são agentes ativos que contribuem para definir o lugar do homem na natureza e nas relações sociais. Woodward (2007, p. 3) define objetos como as coisas materiais que usamos e com as quais interagimos. O uso do termo “cultura material” para se referir aos objetos enfatizaria o modo como “coisas aparentemente inanimadas” que nos envolvem agem sobre as pessoas e sofrem ações delas no desempenho de funções sociais, na regulação de relações sociais e na atribuição de “sentido simbólico à atividade humana”. Quanto aos “estudos de cultura material”, trata-se de uma nomenclatura recente que integra “diferentes pesquisas acadêmicas sobre usos e significados de objetos”, oferecendo um “ponto de vista multidisciplinar sobre relações homem-objeto”. Para o autor, os objetos têm significados culturais importantes e que muitas vezes fazem algum tipo de “trabalho cultural” relacionado a representar os contornos da cultura, incluindo as questões de diferenças sociais, estabelecendo a identidade social ou gestão de status social.

O estudo da memória tem sido realizado por diversas áreas do conhecimento (Psicologia, História, Arqueologia, Ciência da Informação, etc.). Cada qual, com sua visão específica. Percebe-se que o homem, durante a sua evolução, tem desenvolvido técnicas que o ajudem a se comunicar de forma consistente, além de possibilitar diferentes formas de registro do seu conhecimento. Inicialmente, a informação era oral, porém, com o passar do tempo, a escrita foi criada. Nessa perspectiva, o fato da memória humana não conseguir registrar com exatidão toda informação e conhecimento constituídos, o uso da escrita possibilita o registro de parte desse conteúdo, sendo que outra parte será perdida, esquecida, deixando de fazer parte da memória daquele indivíduo ou sociedade.

REFERÊNCIAS 

AZEVEDO NETTO, C. X.; NIEMEYER, L. M. L. C.; MATHEUS, L. J. M. O rumor dos objetos. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 14, 2013, Florianópolis, SC. GT 10: Informação e Memória. Florianópolis: UFSC, 2013. Disponível em:

http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/xivenancib/paper/viewFile/4626/3749. Acesso em 12 jan. 2017.

CRIPPA, Giulia. Memórias: geografias culturais entre história e Ciência da Informação. In: MARANON, Eduardo Ismael Murguia (Org.). Memória: um lugar de diálogo para arquivos, bibliotecas e museus. São Carlos: Compacta, 2010.

DIJCK, Jose van. Mediated memories in digital age. Stanford University: California, 2007. p. 27-52.

FREIRE, G. H. A. Os novos espaços de comunicação e memória. In: GRUPO DE ESTUDOS MEMÓRIA, INFORMAÇÃO E SOCIEDADE. Rio de Janeiro: Ibict, 29 nov. 2016. Postado por Ricardo Pimenta. Disponível em: O RUMOR DOS OBJETOS Acesso em 12 jan. 2017.

FUNARI, Pedro Paulo; CARVALHO, Aline Vieira de. Cultura material e patrimônio científico: discussões atuais. In: GRANATO, Marcus; RANGEL, Marcio F. (Org.). Cultura material e patrimônio de ciência e tecnologia. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins, 2009. p. 3-13.

MOLINA, Letícia Gorri; VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Memória Organizacional como forma de preservação do conhecimento.Perspectivas em Gestão & Conhecimento, João Pessoa, v. 5, n. 2, p. 147-169, jul./dez. 2015. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/pgc

Memória Corporativa e Memória Institucional: discussões conceituais e terminológicas. Revista EDICIC, v.1, n.1, p.262-276,  2011. Disponível em: http://200.145.6.238/bitstream/handle/11449/115215/ISSN2236-5753-2011-01-n.1-262-276.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 10 jan. 2017.

PIMENTA, R. M. O dilema entre a recuperação e o apagamento da informação na era digital: perspectivas em construção.  In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: além das nuvens, expandindo as fronteiras da Ciência da Informação, 15., 2014, Belo Horizonte, MG. Anais [eletrônicos].  Belo Horizonte: ECI, UFMG, 2014. Disponível em: http://enancib2014.eci.ufmg.br/documentos/anais/prefcio_ANAISFINAL.pdf. Acesso em 12 jan. 2017.

POMIAN, Krzysto. Memória. In: GIL, Fernando. Sistemática.  Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 2000. p. 507-516. (Enciclopédia Einaudi, v. 42).

WOODWARD, Ian. Understanding material culture. New York: Sage Publications, 2007. p. 84-110.

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